Homilética

“Sentinelas do povo”, reflexão do Pr. Joel Zeferino nos 40 anos do Jornal Correio

No dia 15 de janeiro, houve uma celebração Inter-religiosa pelo aniversário de 40 anos do Jornal Correio (antigo Correio da Bahia). Transcrevo abaixo a pertinente reflexão feita nessa ocasião, pelo querido amigo Pr. Joel Zeferino, da Igreja Batista Nazareth (Aliança de Batistas do Brasil). Agradeço, desde já, ao Pr. Joel a permissão para publicar sua reflexão aqui no blog Conciliação.

Crédito: Foto retirada do Facebook de Mãe Jaciara

“Sentinelas do povo”
Salvador, 15 de janeiro de 2019.

Neste dia que o Correio da Bahia completa seus 40 anos, ele resolve celebrar essa data com a representação da diversidade religiosa do povo da Bahia; e isso é muito bom, pois afirma a possibilidade da convivência entre as diferenças, o que é algo tão urgente nesses dias de intolerância que vivemos.
Falando especificamente desta data, 40 é um número muito importante na tradição judaico-cristã. São 40 anos peregrinando no Deserto. 40 dias de jejum de Moisés e de Jesus, dentre tantos outros exemplos. Sem pretender a literalidade, o que importa aqui é o símbolo a ser expressado: 40 é em si mesmo um tempo completo, ao mesmo tempo que é a preparação para um grande desafio que está por vir.
Aplicando a este dia, podemos dizer que 40 anos do Correio é um tempo que hoje se conclui, ao passo que o prepara para os novos e grandes desafios que estão aqui e agora, e no futuro.
E falando em desafios, me arrisco a dizer que o maior deles para a Mídia em geral, e para o Correio da Bahia em específico, podem ser extraídos de uma outra história bíblica. No livro do Profeta Ezequiel, capítulo 33, o Divino o convoca para uma grande tarefa. Para isso, a narrativa apresenta uma imagem, uma alegoria. A imagem utilizada é de uma sentinela, um vigia, que por estar em uma posição privilegiada deve avisar ao povo quando o perigo se aproxima. E então lhe é dito que, se ele cumprir sua tarefa de avisar, quer o povo atenda ou não o seu chamado, ele cumpriu sua missão. Porém se ele, vendo o perigo, se calar, todas as consequência a seguir serão inteiramente da sua responsabilidade, e isto lhe será requerido.
Não é pequeno este desafio quando aplicado aqui. Informar com rapidez, verdade e compromisso social é algo que se impõe em todos os dias da existência de um jornal, mas isso não é nada fácil, tamanhos os muitos interesses em conflito. Por isso, minha mais sincera oração, é que cada um dos profissionais envolvidos – desde a direção passando por todos os cargos – possa estar atento ao seu papel de Sentinela do Povo. E para que tenham forças para isso, faço aqui uma prece que não é minha, mas de um pastor batista norte-americano. Palavras que bem caberiam na boca do Rev. Martin Luther King Jr., que hoje completaria 90 anos, mas que na verdade pertencem ao Pastor Walter Rauschenbusch, que viveu a virada do séc. XIX para o século XX e que orou assim pelos escritores e jornalistas (e aqui, estendo a todas as pessoas que participam da vida desse jornal):

“Ó tu, grande fonte de verdade e conhecimento, nos lembramos perante ti daqueles que são chamados para trabalhar colhendo e juntando os acontecimentos para a informação do povo. Inspira-os com um amor firme pelo trabalho honesto e um ódio profundo pelos que espalham mentiras, a fim de que os julgamentos da nossa nação não sejam deturpados e acabemos por chamar a luz de escuridão e a escuridão de luz. Desde que a sanidade e a sabedoria de uma nação estão em suas mãos, que possam se envergonhar de inflamar as paixões mais básicas dos homens com o propósito de ganhar mais. Que eles nunca tenham de ser usados para enganar as pessoas com inverdades e preconceitos. Dá-lhes coragem para acender uma luz incômoda sobre aqueles que amam a escuridão porque seus atos são maus. Põe em suas mãos a espada brilhante da verdade, e faze deles dignos sucessores dos grandes líderes do povo que fazem da verdade uma coisa sagrada, pela qual as nações vivem, e pela qual os homens deveriam morrer. Que percebam que eles têm uma função pública na comunidade, que seu país pode ser salvo pela sua coragem ou perder por causa da sua covardia e do seu silêncio.
Dá-lhes coragem para usar sua poderosa influência com tal força que tornem o povo forte e livre, e, se forem derrotados, possam se alegrar por isso, para provar a si mesmos que eles lutaram por uma causa justa e foram servos de tua lei”
(Do livro “Orações por um mundo melhor” p. 44 e 45)

Meu desejo é que essa oração se cumpra na vida de cada um, cada uma de vocês. Que Deus vos abençoe. Amem.

Joel Zeferino,
Pastor na Igreja Batista Nazareth.

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