Histórica

500 ANOS DE REFORMA (PROTESTANTE?)

Hoje (31.10.2016) serão abertas as comemorações dos 500 anos da Reforma Protestante e pela primeira vez tratar-se-á de uma comemoração conjunta entre Católicos-romanos e Luteranos, como indica a viagem do Papa Francisco à Suécia para participar da abertura das comemorações e também o documento “Do conflito à comunhão: comemoração conjunta Católica-Luterana da Reforma em 2017“, produzido pela Comissão Luterana-Católica, com edição em Português publicada pelas Edições CNBB e Editora Sinodal.

Desde 1967, existe a Comissão Luterana – Católica Romana para a Unidade, nomeada pelo Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos (PCPUC) e pela Federação Luterana Mundial (FLM). Nos 500 anos de nascimento de Martinho Lutero (1983), o relatório dessa Comissão bilateral definiu Lutero como uma “Testemunha de Jesus Cristo” e afirmou que “cristãos, sejam eles Protestantes ou Católicos, não podem desconsiderar a pessoa e a mensagem desse homem”. Em 1999, a mesma Comissão produziu “A Declaração Conjunta sobre a Doutrina da Justificação” (click aqui para ler), assinada pela Federação Luterana Mundial e a Igreja Católica Romana, resolvendo o impasse sobre a doutrina da justificação.

Mesmo com esses passos oficiais em direção à comunhão, ainda vemos um festival de manifestações de ódio para com Martinho Lutero e a Reforma Protestante, em fieis católicos-romanos de alas mais conservadoras da Igreja Católica Romana. Um festival de ignorância, que desconsidera o quanto a Igreja Cristã, de fato, nunca foi uma unidade formal; o quanto a Reforma era necessária e já vinha sendo gestada há pelo menos 300 anos; e o quanto a Igreja Católica Romana incorporou elementos da Reforma.

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Martinho Lutero aos 46 anos – pintura de Lucas Cranach (1529)

Os Católicos Romanos brasileiros, quando pensam na Reforma Protestante, tem na mente as Igrejas Evangélicas Pentecostais e Neopentecostais, e não as igrejas oriundas do Séc. XVI, as quais desconhecem completamente. Os desafios são outros, agora. Se, por um lado, o último século foi o século do Ecumenismo entre as igrejas cristãs históricas; por outro, foi o século do surgimento do Pentecostalismo, que tencionou a relação entre as Igrejas Cristãs, para a renovação, mas também para o conflito. Ademais, o século atual está presenciando a retomada de formas caricaturadas de um catolicismo anterior ao Concílio de Trento, a despeito dos passos que a própria Sé Romana tem dado desde o Concílio de Trento (sim, desde Trento!). Esses são alguns dos desafios, 500 anos depois Reforma.

Desejo concluir esse post, com uma citação do documento “Do conflito à comunhão” (2016, p. 11):

A verdadeira unidade da Igreja só pode existir como unidade na verdade do Evangelho de Jesus Cristo. O fato de a luta por essa verdade no século XVI ter levado à perda da unidade no Cristianismo Ocidental, pertence às páginas obscuras da história da Igreja. Em 2017 deveremos confessar abertamente que, ao ferirmos a unidade da Igreja, nos tornamos culpados diante de Jesus Cristo. Esse ano comemorativo nos coloca, portanto, diante de dois desafios: a purificação e a cura das memórias, e a restauração da unidade cristã, conforme a verdade do Evangelho de Jesus Cristo (cf. Ef 4,4-6).

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