Histórica · Homilética

Discurso do Mons. Gaspar Sadoc

Faleceu aos 100 ano o Mons. Gaspar Sadoc da Natividade, considerado maior orador sacro da Bahia.  Por isso, resolvi postar aqui um de seus discursos.  Basta clicar aqui: Discurso de Cinquentenário de Sacerdócio. Trata-se de um discurso em que ele revisita a própria vida, naquela ocasião em que comemorava seus 50 anos de padre.

Seu falecimento trouxe-me à mente uma série de circunstâncias relacionadas a ele, em minha vida. Nascemos em Santo Amaro, moramos no mesmo bairro (Sacramento), obviamente, em tempos diferentes. Um dos primeiros testemunhos vocacionais que escutei foi o dele, na celebração de seus 60 anos de sacerdócio, na Igreja Matriz da Purificação. E ficou-me gravado na memória uma das frases da homilia: “Eu era um menino pobre, mas nunca fui um pobre menino”. Fique ruminando essa frase no contexto de minha própria vida. Suas prédicas sempre foram repletas desses trocadilhos que, longe de serem recursos vazios, possuíam um efeito de sentido profundo. Admirei-lhe primeiro pelo dom da palavra. E desejei ser como ele: um homem de palavras fáceis, bonitas e sábias.

Na ocasião de meu primeiro livro, Informes Históricos da Paróquia Nossa Senhora da Purificação, ele leu a boneca do livro, fez indicações e me deu uma ajuda financeira para a publicação. A partir dali, tive a oportunidade de frequentar sua residência. Sempre “portas abertas”, mesa posta (bolos, biscoitos, café…) para quem chegasse. Isso expressava o que realmente ele era: um homem acolhedor, fraterno… chamava-me sempre “meu irmão”. Um tratamento aplainador. Admirei-lhe, em segundo, pela simplicidade, cordialidade, fraternidade. E desejei ser como ele: um homem humilde, fosse o que fosse.

Quando eu já havia sido ordenado padre, vi muitas vezes ele zelar pelos seus irmãos do clero, colocar-se à disposição dos padres em situações difíceis. Vi uma liberdade-de-ser que me fazia perguntar se era algo da personalidade dele ou da maturidade que a vida lhe concedeu (cheguei, inclusive, a perguntar a ele e só obtive uma gargalhada como resposta). Uma liberdade/coragem que não lhe deixava se esconder, se enquadrar… e sempre lhe impulsionava a dizer e fazer as coisas mais fundamentais contra toda desfaçatez inapropriada! Essa era a dimensão da vida do Monsenhor que poucos podiam ver, até porque ele não fazia para se exibir, mas sim pelo senso de justiça. Admirei-lhe a liberdade/coragem e desejei ser também eu um homem livre, mas ao mesmo tempo respeitador, como ele era.

Fico me perguntando o que sua presença representava no meio do clero e qual riqueza  é sepultada com sua morte. Que valores sua vida podia transmitir ao clero jovem.

Vai em paz, “bomsenhor”.

 

Datas importantes:

  • Nascimento: 20 de março de 1916
  • Entrada no Seminário: 15 de fevereiro de 1929
  • Ordenação sacerdotal: 30 de novembro de 1941
  • Pároco da Paróquia São Cosme e São Damião (1942-1949)
  • Pároco da Paróquia São Judas Tadeu (1949-1967)
  • Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Vitória (1968-2002)
  • Vigário Paroquial da Paróquia N. Sra. da Vitória (por razão de sua aposentadoria): 2002-2016
  • Falecimento: 22 de setembro de 2016

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