Histórica · Teológica

Confissões de um protestante obstinado (Rubem Alves)

Hoje faz 02 anos da passagem do Rubem Alves, pastor presbiteriano (ofício do qual afastou-se na década de 60), teólogo do Reino (como ele gostava de se intitular), educador, poeta, escritor, filósofo, psicanalista e, eu ousaria dizer, místico. A contemplação da beleza faz-nos místicos e ele soube cortejar o mistério através da beleza.

rubem-alves-reproducao

Lembro-me do primeiro livro do Rubem que eu li. Estava enfermo, no Seminário (era o mu 2º ano), e li o livro Retratos de amor inteiro numa única madrugada. O livro despertou-me para a beleza, despertou-me para o desejo, a saudade e o amor. Quem me apresentou a escrita do Rubem foi Pe. Genival Bartolomeu Fernandes, que gostava de usá-la para as reflexões sobre educação, filosofia e religião. Agradeço demais a ele por essa apresentação!

Ano passado, deparei-me com o depoimento Confissões de um protestante obstinado do Rubem Alves, no qual ele fala sobre sua identidade protestante, mas como alguém que se vê de fora do protestantismo. Para quem não sabe, Rubem Alves deixou a Igreja Presbiteriano na década de 60 do século passado, depois de ser acusado de subversor pela autoridades da igreja, naquele período em que o Brasil vivia a Ditadura Militar. Então, ele diz no depoimento: “Sou porque fui”…

O depoimento tocou muito a mim que vinha de uma recém saída do catolicismo-romano para o anglicanismo, que é uma porção do protestantismo histórico, porquanto se entende uma igreja Católica e Reformada. De uma parte, tocou-me porque diz do que sinto como um egresso do catolicismo-romano: “Sou porque fui”… e para entender o sentido disso é preciso ler o que Rubem diz no depoimento. O que vivemos não é esquecido. Sobrevive em nós, seja como demônios que desejamos exorcizar, seja como lembranças que nos fazem rir e sonhar.

De outra parte, tocou-me porque diz do meu sentimento enquanto protestante: “A vergonha de ser diferente virou o orgulho de ser diferente… De fato, o protestantismo tem muito a ver com a coragem para assumir a própria individualidade”. Um dia, deixei realmente de sentir vergonha de minha diferença e quis marcar minha individualidade (nem tão diferente assim… rss). Nesse dia, entre as feridas de tantas acusações e o alívio de me sentir conciliado, ri de mim, ri dos outros, ri da vida!

Concluo dizendo com o Rubem: “É, eu sou protestante!”, com todas as reticências  que isso significa para mim e para ele; e agradecendo-lhe por ter me ajudado a clarear as ideais sobre a fé! Abraço, mano Rubem!

Leia também:
O Grande Mistério

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