Histórica · Teológica

Sou um cristão anglicano (II)

IEAB

No post Sou um cristão anglicano (I), escrito para marcar meu aniversário de entrada na Comunhão Anglicana, comecei a compartilhar alguns pensamentos sobre minha transferência da Igreja Católica Romana para a Igreja Anglicana. Nesse primeiro post, realizei a partilha a partir da compreensão do anglicanismo como partícipe da catolicidade da Igreja de Cristo, num modo obviamente distinto do catolicismo romano. É preciso dizer que essa catolicidade não é uma invenção minha, mas uma compreensão teológica própria da Comunhão Anglicana.

Minha entrada no Anglicanismo, portanto, não se tratou de uma conversão, mas sim de uma derivação. Tomo emprestado para o campo teológico esse conceito gramatical para expressar a compreensão que tenho sobre minha nova pertença eclesial. Só há conversão, quando passamos a crer naquilo que não críamos; coisa que não aconteceu comigo, que apenas me dispus a viver diferentemente as mesmas coisas em que eu já cria. Trata-se, por isso, de uma derivação. Derivei para o ethos anglicano.

Nesse segundo post, desejo partilhar minha mudança eclesial a partir da abertura do ethos anglicano à reflexão sobre a sexualidade humana. Ao longo do tempo de seminário, o contexto de escândalos sexuais em que a Igreja Católica Romana estava envolvida e as minhas próprias contrariedades humanas, levaram-me a estudar a disciplina do celibato eclesiástico. Isto me fez, por consequência, refletir também sobre a própria sexualidade na Teologia Cristã.

Fiz uma série de leituras que me propiciaram uma compreensão positiva da sexualidade humana. Entre elas, cito o livro “Eunucos pelo Reino dos Céus”, da teóloga alemã Uta Ranke-Heinemann, que denuncia o pessimismo sexual do Cristianismo, evidenciando as consequências deste em relação às mulheres no catolicismo-romano. Desse modo, contrastei da moral sexual oficial do catolicismo-romano. Digo especificamente da oficial porque, nos círculos de reflexão teológica e na prática dos fieis, a moral sexual também costuma contrastar, ainda que tacitamente.

Quando fui conduzido a fazer uma escolha entre o sacerdócio na Igreja Católica Romana e a família que eu havia formado, resolvi continuar o sacerdócio noutra comunidade eclesial com a minha família. Não fazia sentido para mim abandonar a vida sacerdotal por uma questão tão contingente à natureza do sacerdócio como é a disciplina do celibato eclesiástico. Mas também seria non sense continuar a vida sacerdotal noutra comunidade eclesial em que eu não visse liberalidade na compreensão da sexualidade humana.

Daí que escolhi a Comunhão Anglicana, cuja compreensão da Tradição e do Evangelho acena uma abertura oficial à todxs (recasados, mulheres, homoafetivos etc.) na vida integral da Igreja, em busca de conciliação entre fé e vida. Derivei, então!

Agora que já apresentei a minha derivação religiosa a partir de duas perspectivas (a eclesial e a moral), desejo dissertar sobre o ethos anglicano (perspectiva espiritual), num terceiro e último post da série Sou um cristão anglicano.

Adriano Portela dos Santos

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