Literária

Meu Anjo (Parte I)

Então, pessoal! A partir de hoje irei postar um conto que escrevi no ano 2004. Serão dez brevíssimos (10) capítulos postados diariamente. Espero que gostem. Fala sobre encontro, amor e redenção! Boa leitura!

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Imagem do filme “Cidade dos Anjos”

 

MEU ANJO

 

Capítulo I

Naquele dia, sinceramente, eu não sabia que estaria no lugar errado e na hora errada, ou melhor, no lugar certo e na hora certa. Alguém escrevia aquele fato de um destino inesperado e surpreendente. Pode ser contraditório, mas são fatos humanos como esse que revelam o divino.

Apenas procurava a senhora naquele dia. Eu estava embriagada quando me disseste o lugar em que estarias; aproximada, então, a hora em que pensei ter que ir encontrá-la, fui ao lugar que supostamente terias me dito estar me aguardando. Ambas informações estavam incorretas – tanto a hora quanto o local – contudo serviram para ele que me chamou a atenção ao mistério do amor.

Cheguei ao local com sede, e não a encontrei. Eu estava ainda muito cansada, pois fui caminhando debaixo de um sol escaldante. Fiquei irritada porque não estavas lá; contudo, ele (que estava lá), indicou-me onde encontra-la. Foi a primeira vez que o vi, ou melhor, o percebi.

– Que hora é esta, senhorita, por favor? – perguntou-me.

– 15h – respondi-lhe rispidamente.

– Uma boa hora para o inusitado da vida, não achas?

– Por que dizes isso? – indaguei-o curiosa de saber. Jamais me esquecerei daquela ocasião.

– Por que estás aflita? – evadiu ele com mais uma pergunta audaciosa.

– Não achas que és muito atrevido, não? – interpelei-o querendo pôr um termo à conversa.

– Se soubesses quem sou e como posso fazê-la feliz!

– O que sabes de mim, para que possas me fazer feliz? – argui-o veementemente. E foi então que ele me disse onde estavas, mamãe. Não entendi como ele sabia que eu a procurava.

Durante toda a breve conversação, ele manteve a cabeça inclinada para o chão, tendo um chapéu que lhe ocultava o rosto. E sua mão era macia como a de uma criança. Isso pude saber porque no momento em que fiz menção de ir embora, ele pegou em minha mão e disse: “Eu te amo com amor eterno!” Desatei minha mão da dele e saí. Tudo foi muito rápido.

Saí a procurar-te desesperadamente, mamãe, por isso, só depois me dei conta da largueza dessa confusão. Aquelas palavras dele me tocaram, despertaram o meu espírito… mexeram comigo verdadeiramente. No entanto, tudo havia passado, inclusive ele, a quem eu pensava que jamais reencontraria. A incógnita que era o rosto dele me garantia isso.

Contudo, ficaram marcas em mim deixadas por ele, com aquela mansidão, doçura de voz e profundidade de palavras. Elas alcançaram a busca que eu inconscientemente realizava, tocaram meu desejo de ser feliz. Foram o marco de um novo tempo, uma renovada vida.

Leia os demais capítulos:
Meu Anjo (Parte II)
Meu Anjo (Parte III)
Meu Anjo (Parte IV)
Meu Anjo (parte V)
Meu anjo (Parte VI)

6 comentários em “Meu Anjo (Parte I)

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