Homilética

Pregação na 4ª Noite da Novena de Santo Amaro – 2011

Querido Padre Rogério Marcos da Silva, meu amigo e irmão no ministério…
Queridos Diáconos, tão zelosos no serviço ministerial que exercem…
Querida comunidade católica de Santo Amaro, minha terra amada,

A paz do Senhor esteja com cada um de vocês!

            Agradeço à Paróquia Nossa Senhora do Rosário pelo convite de vir aqui esta noite… para mim é um privilégio e uma graça!

            A festa de nosso Santo Padroeiro retoma este ano o tema do ano passado: “Santo Amaro, um mestre para o nosso tempo”. É feliz a ideia de insistir neste tema, uma vez que, não raro, perdemos de vista que os nossos Santos Padroeiros são nossos Santos Padroeiros para que nos sirvam de mestres para o seguimento de Jesus. A nossa devoção a Amaro, por exemplo, não é estéril… não é por nada que ele é o nosso Santo Padroeiro, senão para que seja mestre para a nossa vida. As vezes, em nossa Igreja, esquecemos que os santos são para os imitarmos no seguimento de Jesus, o Cristo. E ficamos com o dado secundário, que é simplesmente a devoção, digo uma devoção sem comprometimento com a vida do santo. Devoção sem comprometimento é como banco sem dinheiro: não serve para quase nada!

            Esta noite, o comprometimento a que nos leva a devoção que temos a Amaro é “Viver o despojamento em Deus” (Fl 3,7-8), o mesmo despojamento que ele viveu, quando decidiu seguir a inspiração do Abade Bento, para melhor viver o Evangelho do Cristo.

Vale a pena relermos os versículos 7 e 8 do 3º capítulo da Carta aos Filipenses:

Mas essa coisas, que eram vantagens para mim, considerei-as como perda, por causa de Cristo. Na verdade, considero tudo como perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo Jesus, meu Senhor. Por causa dele, eu perdi tudo. Considero tudo como lixo, para ganhar Cristo…

Amaro, em seu tempo, bem pode repetir essas palavras do Apóstolo Paulo à comunidade dos filipenses. E o objetivo é que também nós possamos repeti-las no tempo de hoje.

Em que consiste este despojamento em Deus que nos propõe o tema desta noite? Meus irmãos e minhas irmãs, todos temos conosco tesouros, quer sejam coisas positivas quer sejam negativas… o fato é que nós temos as nossas riquezas e somos convidados a abandoná-las por amor do Cristo. Há quem deixe família, amigos e terra para acompanhar o Cristo que passa (este é um tipo de despojamento); e há quem deixe vaidade, orgulho, rancores, desonestidade, ressentimentos, para acompanhar o mesmo Cristo que passa ( e este é um outro tipo de despojamento).

Seja lá de que for que tenhamos que nos despojar (e sempre temos alguma coisa, é importante que se diga), devemos fazê-lo no reconhecimento do tesouro impressionante que é o Cristo. O Apóstolo disse que considerou tudo que tinha como lixo, por causa deste Cristo. Todas as vantagens que tinha, ele desconsiderou por causa do Senhor.

Meus irmãos, minhas irmãs, não nos apeguemos a vantagens falsas (tipo as nossas desonestidades), para não deixarmos de ganhar o verdadeiro tesouro. A Palavra já nos diz que é melhor perder o olho que deixar de entrar no Reino dos céus. É melhor, por exemplo, perdermos o nosso orgulho que perdermos ao Cristo. O Apóstolo entendeu isto e logo agarrou o manto do Cristo que passava por sua vida.

Se não fizermos assim, corremos o risco de fazer como alguns homens que preferem perder esposas dedicadas a ter que despojar-se do espírito de traição; e mais tarde, quando olham para trás, percebem que deixaram o tesouro real que eram suas esposas.

O fato é que perdemos o Cristo por coisas tolas. Conto aqui uma história passada no Seminário: um jovem, recém chegado no Seminário, tinha os cabelos longos. O Reitor do Seminário o aconselhou que ele cortasse os cabelos. Ele respondeu que preferia ir embora que cortar os cabelos. E o reitor então o disse: “Se você ama mais o seu cabelo que o Cristo, então pode ir embora realmente”. Não é que padre não possa ter cabelos longos, mas conto esta história para dizer de como temos lá as nossas riquezas das quais precisamos nos despojar, para vivermos o despojamento em Deus.

Em seu tempo, Amaro entendeu que precisava despojar-se das riquezas materiais e da vaidade, por isso seguiu Cristo, nas trilhas de São Bento. Descubramos de que é que precisamos nos despojar. O que é que precisamos considerar como lixo, diante do Cristo.

Salvador, 09 de janeiro de 2011

Pe. Adriano Portela
Administrador da Paróquia Sagrada Família de Itapuã

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