Homilética

Pregação da 5ª Noite da Novena de N. Sra. da Purificação – 2011

Proferida na Igreja Matriz da Purificação, em 27 de janeiro de 2011

 

Minha saudação a todos e todas aqui presentes, de modo particular, àqueles que compõem o serviço do altar:

Reverendo Mons. Walter, Pároco desta quadricentenária Paróquia,
Reverendo Pe. Tadeu, meu conterrâneo,
Reverendos Diáconos Dória, Umnaldo e Marcos,
Seminarista Ricardo e coroinhas

 

Meus cumprimentos particulares também à Comissão de Festas, na pessoa de sua Presidente, Silvia Gomes Wanderley, que desempenha esse serviço com tanto empenho e prazer, e às autoridades presentes nesta 5ª noite da Novena da Purificação.

A todos nós que aqui estamos, graça e paz da parte de Deus, nosso Pai, e de Jesus, nosso irmão!

Agradeço ao Mons. Walter o convite para pregar esta 5ª noite da Novena da Purificação, para mim é muito significativo estar aqui, pregando, porque foi servindo a este altar que tive a minha vocação despertada. Por quase uma década, estive aqui, no novenário, discretamente servindo ao altar. Por isso, tenho a consciência de que a minha está associada à pessoa de Nossa Senhora da Purificação.

Quando recebi a programação da Festa e me dei conta do tema deste ano – “Contemplando o olhar da Senhora da Purificação, olhar de Mãe, compreendamos o que ela nos diz nesta sua festa!” – recordei o que nos dizia a finada Cotinha: de que, quando o Côn. Fenelon Costa tinha que preparar a Festa da Purificação, ele vinha a este presbitério, contemplar o olhar da Mãe, para que compreender o ela lhe dizia sobre a Festa.

Sobre o olhar, o célebre Pe. Vieira nos diz, no Sermão das Lágrimas de Pedro, que a natureza armou os olhos com duas funções: ver e chorar e que o ver é a causa do chorar: porque vemos, choramos! Meus irmãos e minhas irmãs, choramos ou porque vimos e nos perdemos ou porque vimos e nos convertemos. Nesta noite, quero falar sobre esta segunda hipótese, a de que choramos por vemos e nos convertemos. Desejo que a graça desta pregação seja a de que, como Pedro após negar Jesus três vezes, vejamos o nosso pecado e choremos arrependidos, porque o choro atrai conversão. Que a Mãe da Purificação o instrumento de Deus para a nossa conversão, neste dia!

O subtema desta noite é: O olhar de Maria, Mãe da Purificação, nos auxilia no caminho da salvação. Este subtema traz uma afirmação de fé que a própria literatura absorveu sobre Maria: a de que Maria é um auxílio para a nossa salvação. Ela não é a salvação, mas o instrumento para que alcancemos a salvação. Se os irmãos separados nos ouvissem, em vez de nos caluniarem, eles também entenderiam essa afirmação de fé.

Cito três exemplos da literatura, para ilustrar esta afirmação: uma é do Auto da Compadecida, de Ariano Suassuna; a outra, do conto O Defunto, de Eça de Queirós; e a última, do meu segundo livro, Christian Glauco em Jerusalém. No Auto da Compadecida, o trambiqueiro João Grilo invoca a proteção de Nossa Senhora, no momento do juízo entre Jesus e o Diabo, para que a Senhora Mãe o ajudasse, e ela o fez, intercedendo para que Jesus o concedesse nova oportunidade na vida. João Grilo, então, retorna à vida convertido.

Em O Defunto, a Senhora Pilar convoca um enforcado para que proteja D. Rui de Cardenas, seu afilhado, muito devoto e fiel servidor. D. Rui de Cardenas está indo à casa de D. Leonor, por causa de uma armadilha do marido desta, que deseja matá-lo; no meio do caminho, ele encontra com um enforcado que lhe pede para acompanhá-lo. Chegando ao destino final, que é a casa de D. Leonor, o defunto passa à frente de D. Rui e recebe um golpe de adaga de D. Alonso de Lara, marido de D. Leonor. Ao descobrir que “matara” o enforcado, em lugar de D. Rui, D. Alonso morre e casa-se D. Rui com D. Leonor, que havia recomendado a proteção de D. Rui à Senhor do Pilar.

Em meu livro, Christian se desentende com a sua família e sai mundo a fora. Ajudado por uma mulher misteriosa no deserto, ele entra em Jerusalém e se reencontra consigo mesmo, na companhia de Ieshua. Mais tarde, ele compreende que aquela mulher misteriosa é a Senhora de Guadalupe. Enfim, aconselhado pela esta Senhora, ele volta para casa e refaz a sua relação com a família.

     Meus irmãos, minhas irmãs, Maria é esta que nos ajuda no caminho da salvação, ela é Auxilium Christianorum – Auxílio dos Cristãos! O subtema desta noite nos diz que é o seu olhar precisamente que nos ajuda, neste sentido. O olhar dela faz com que vejamo-nos e choremos, quer dizer, nos arrependamos e convertamo-nos. Seu olhar sempre nos diz algo, ou melhor, nos diz tudo. O tema da Festa deste ano nos sugere que “Contemplando o olhar da Senhora da Purificação, olhar de Mãe, compreendamos o que ela nos diz nesta sua festa!”

     O que pode querer de nós a Doce Mãe da Purificação, nesta Festa? O que pode nos dizer seu olhar de Mãe nestes dias? O que diz Maria hoje e dirá sempre, só pode ser uma única coisa: “Fazei o que ele vos disser” (Jo 2). Ela só pode nos ajudar a seguir o seu Filho, por isso é verdade o que nos diz S. Luís Grignon de Montfort: “Acaso pode errar o caminho o filho que segue a Mãe?”

     A Senhora da Purificação, meus irmãos e minhas irmãs, é uma Doce Mãe, seus olhos nos revelam a verdade! É preciso olharmos para ela… seus olhos cândidos sem iguais nos orientam e nos apontam o caminho a seguir. Deixemo-nos ser chamados a atenção por ela, aceitemos os seus puxões de orelha, deixemos que dos nossos olhos brotem as lágrimas de arrependimento, para que nos convertamos e reencontremos o caminho da salvação.

     Ver e chorar! Duas coisas que devem nos proceder nestes dias. O ver precisa acontecer; parece algo óbvio, algo corriqueiro, mas o Evangelho já nos ensina que é possível ver sem enxergar. Não saiamos daqui sem ver! Não saiamos daqui sem nos ver! O chorar precisa acontecer; se não vemos, não choramos. Não saiamos daqui sem chorar. Ninguém pode sair da Igreja sem “chorar”, quer dizer, sem se converter. Isto também nos diz Antonio Vieira, no Sermão da Sexagéssima. O Pregador precisa fazer com que os seus ouvintes vejam os seus pecados, vejam o inferno e saiam chorando.

     O que precisamos ver, nesta noite? Pelo que precisamos chorar? Dai-nos, Senhora, olhos com que ver, olhos com que chorar! Sede, Senhora, nossa guia, ajudai-nos no caminho da salvação! Amém.

Pe. Adriano Portela

Administrador da Paróquia Sagrada Família de Nova Brasília de Itapuã

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MARIA, ESTRELA DO MAR

Ó tu, quem quer que sejas, que te sentes longe da terra firme, arrastado pelas ondas deste mundo, no meio das borrascas e tempestades, se não queres soçobrar, não tires os olhos da luz desta estrela.

Se o vento das tentações se levanta, se o escolho das tribulações se interpõe em teu caminho, olha a estrela, invoca Maria. Se és balouçado pelas vagas do orgulho, da ambição, da maledicência, da inveja, olha a estrela, invoca Maria.

Se a cólera, a avareza, os desejos impuros sacodem a frágil embarcação de tua alma, levanta os olhos para Maria. Se, perturbado pela lembrança da enormidade de teus crimes, confuso à vista das torpezas de tua consciência, aterrorizado pelo medo do juízo, começas a te deixar arrastar pelo turbilhão da tristeza, a despencar no abismo do desespero, pensa em Maria.

Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria. Que seu nome nunca se afaste de teus lábios, jamais abandone teu coração; e para alcançar o socorro da intercessão dela, não negligencies os exemplos de sua vida. Seguindo-A, não te transviarás; rezando a Ela, não desesperarás; pensando nela, evitarás todo erro.

Se Ela te sustenta, não cairás; se Ela te protege, nada terás a temer; se Ela te conduz, não te cansarás; se Ela te é favorável, alcançarás o fim.

(São Bernardo)

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